O ano de nossa carpintaria

Estamos no ano de São José, instituído pelo Papa Francisco para 2021 com o intuito de comemorar os 150 anos da proclamação do esposo de Maria como patrono da Igreja Católica. O humilde carpinteiro de Nazaré que além de nos ensinar através do silêncio e da obediência também pode muito nos ensinar através do trabalho em sua carpintaria. Ainda mais depois deste 2020 onde fomos forçados a ter as empresas fechadas, o trabalho remoto e as inúmeras restrições podemos buscar em sua “empresa familiar” muitos caminhos para os nossos empreendimentos.

A carpintaria de Nazaré provavelmente foi a empresa de toda uma vida de José. Mas como vimos na Sagrada Escritura não significa que passou sempre por águas brandas. Imagino quando José teve que ir ao Egito – “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar”. (São Mateus 2-13) – o que significou deixar sua carpintaria para ir para outro local, quem sabe perdendo trabalhos que ficaram inacabados, perdendo clientes e dinheiro. Quantos de nós não tivemos que deixar negócios inacabados com esta pandemia, da mesma forma perdendo clientes e dinheiro? A carpintaria permaneceu fechada por anos.

Na mesma medida, não se menciona se São José trabalhou em uma carpintaria no Egito. Será que ele teve que recomeçar em um outro negócio? Trabalhou para outra pessoa? Não sabemos. Mas José teve que lutar para sobreviver. Se abriu uma nova carpintaria teve que conquistar clientes, lutar em um novo mercado, com outros costumes e outra língua. O que esta pandemia fez conosco que não seja nos lançar em uma terra estrangeira? Do nada tivermos que mudar nossos costumes para terras hostis – como o campo digital – tendo que nos reinventar a cada dia. 

O que podemos afirmar é que José teve sucesso. Com o seu trabalho suado ele sustentou a sua família. E podemos dizer que era um trabalho realmente suado! Afinal de contas a carpintaria era manual e não temos maquinário moderno como serras e furadeiras com motores. Era tudo manual e braçal. Se São José tivesse ajudantes – e pode ter tido, é claro! – temos convicção que ele foi o melhor padrão, dirigente amoroso que ouvia os desígnios de Deus para o seu negócio e sua vida. Escutar a Deus, como ele fazia nos momentos difíceis, é fórmula certeira para que as melhores decisões sejam tomadas, em qualquer circunstância.

Este é o objetivo deste ano para todos os empresários: dignificar o trabalho em Deus. Somente através de empresas comprometidas principalmente com a vida humana podemos reconstruir novas bases para o crescimento de uma sociedade nova após este ano difícil.

Para tanto como deve ter sido gratificante para São José ter em sua carpintaria a presença de Jesus em sua companhia – seja ajudando nas tarefas ou ensinado precocemente o Reino de Deus – e a presença de Maria o incentivando e confortando nos dias difíceis que porventura podem ter ocorrido.

Desta forma temos nestes dois alicerces – Jesus e Maria – força para os momentos sem clientes ou que os trabalhos não são frutíferos. Pois tenho certeza que a carpintaria de Nazaré é modelo perfeito de empresa que todos nós possamos sonhar e construir.

Que em 2021 possamos todos voltar para nossas carpintarias preparados para enfrentar a todas as intempéries. Sendo cada vez mais empresários como São José, lutando pela vida, pela preservação da família humana e pelos valores cristãos.

Viva São José!

Fábio Fernando Torrezan
Design Gráfico e Diretor de Comunicação da ADCE Sorocaba

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *