O Novo Normal

Há um certo tempo atrás (fui olhar na wikipedia e olha, já faz mais de 15 anos!) que passou na TV – alguém ainda assiste isso? – o programa “Os Normais”, onde os atores Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, viviam histórias engraçadas na pele dos personagens Vani e Rui, respectivamente. Na tentativa de fazer uma comédia baseada em diálogos inusitados e inteligentes, os personagens geralmente passavam por situações cotidianas inusitadas e absurdas, mas que muitas vezes ficávamos traçando paralelos – obviamente que não tão absurdos como eles – com nossos familiares, amigos e colegas de trabalho.

Mas hoje estamos nós discutindo o pós-pandemia – claro que estamos, pois acreditamos que uma hora vamos voltar a nossas tarefas cotidianas, empresas, escolas e lazeres – a figura ainda meia opaca do “novo normal”. Aliás, esse é mais um pleonasmo criado pela imprensa (os talvez pelos mortadelas ou coxinhas de plantão) para tentar mostrar a população que tudo que virá daqui para a frente será diferente. Problemas linguísticos a parte, o que poderíamos supor que seja esse “novo normal”: seria uma nova espécie humana? Uma super raça que substituirá todos nós?

O que será o novo normal e o que afetará a você? Há quem diga que a partir de agora, mesmo que voltarmos as atividades diárias teremos que conviver com mais uma onda de contaminação, e daí vem outra quarentena… e mais uma… e mais outra… e de que estaríamos presos num loop infinito de saidinhas esporádicas para o mundo exterior e volta para nossas casas. Outros casos, engraçados no começo, é que teríamos que usar máscaras eternamente, o que além de sepultar a indústria de batons do planeta, geraria toda uma outra indústria de máscaras, que além de coloridas, poderiam ser de renda, asa-delta ou depois, micro máscara sex comestível (sei, é muita viagem… mas o homem é inventivo, tenha certeza disso!).



Mas, inventividades a parte, a sua empresa terá que estar preparada para o novo normal, isso tenha certeza. O que podemos supor: A partir de agora haverá menor tolerância com funcionários que trabalhem doentes, mesmo aquela “é só uma gripezinha” que insiste em não passar mesmo com milhares de medicamentos. Você vai tolerar uma pessoa da baia ao lado espirrando sem parar? Acreditamos que não. Os funcionários vão ficar mais incomodados com ambientes mal ventilados, em reuniões intermináveis que não chegam a lugar nenhum, todos fungando no cangote do outro, apertados em volta de uma mesa. Também teremos que conviver cada vez mais com gestos de cumprimentos menos “abrasileirados-calientes-tropicais” dos beijinhos no rosto e abraços calorosos e praticar mais o cumprimento oriental, o origi (o ato de se curvar um para o outro).

Como dirigente chegou a hora (já devia de ter chegado antes mas é na hora do aperto em que as atitudes acabam sendo mais realizadas) de abraçar a tecnologia e, principalmente, o fato de que é mais importante cuidar das pessoas que prestam o serviço diariamente ao eu negócio. Primeiramente abraçar a tecnologia: Usar sem medo as tele conferências, nuvens para armazenar arquivos, e-mails e programas de compartilhamento de mensagens (como o Slack ou Microsoft Teams – que não conhece nenhum dos dois sugiro começar hoje mesmo a conhecer), de planejamento e mapas mentais, investir no e-commerce ou mesmo no catálogo digital de seus produtos, no site pessoal – é incrível como por exemplo médicos e advogados não tenham um site pessoal! – redes sociais minimamente atualizadas (que não sirva para somente espalhar fake News e propostas partidárias), enfim, respirar a tecnologia que está aí ao seu favor.

E cuidar das pessoas? Claro, isso como todo o cristão bem intencionado – há os maus intencionados, sinto te dizer – deveria ser óbvio. Porém devo dizer que o que irá acontecer nesta retomada da economia será um achatamento dos salários, condições precárias de contratação e aquela máxima de que “como você tem um monte aí na rua procurando vaga”, cabe a cada um de nós que valorizamos a pessoa humana devemos cuidar para que tratemos o “novo normal” como uma pessoa que, assim como nós, ficou trancafiada em sua casa durante meses e, além de não ter muito dinheiro guardado no fundo do colchão (você acha que  R$ 600,00 é muito?!?), pode não estar nas melhores condições psicológicas para jogos empresariais, horas extras extenuantes, reuniões monótonas e multitarefas.

Portanto, vamos como empresários ser os artífices desta retomada, que não será uma volta ao que tínhamos antes da pandemia, mas também uma rica oportunidade de transformarmos esse tal “novo normal” em algo mais cristão, valorizando a vida e a convivência.

Sem nenhum momento chilique da Vani, é claro!


Fábio Fernando Torrezan
Design Gráfico e Diretor de Comunicação da ADCE Sorocaba

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *