Palavra de Fé – Abril de 2021

O mês de abril me encontra na celebração do meu aniversário de sacerdócio. Este ano, 2021, somam 14 anos de ministério à serviço da Igreja de Cristo. Dias atrás, em uma entrevista concedida ao Roda Viva da TV Cultura pelo Cardeal de São Paulo, uma pergunta feita a ele me fez refletir. A pergunta foi assim: “o que uma instituição precisa para sobreviver dois mil anos na história da humanidade?”. Penso em uma resposta que também aplico a mim mesmo: a única virtude indispensável é a humildade. Humildade de Maria. Humildade de Cristo. Humildade dos apóstolos. Parece-me que o Papa Francisco é reflexo desta resposta. E o sacerdócio ministerial na Igreja também precisa sê-lo. E a humildade parece ser uma virtude forjada a duras penas – caindo e levantando, perdoando e pedindo perdão, amando no sacrifício de si mesmo.

Não é apenas uma virtude institucional, mas antes de tudo pessoal, e que reflete diretamente na Instituição que representamos e em nome da qual agimos e somos. A humildade não nos rebaixa, nem enfraquece. O humilde é forte na tribulação. É largo na resiliência. É perseverante até o fim. Nosso Arcebispo de Sorocaba ordenando novos padres neste último mês enfatizava: “começar bem é ótimo, mas também o é terminar bem”. Sem humildade, podemos começar gloriosamente admirados por muitos, mas podemos terminar sem a nobreza de termos deixado uma marca feliz no coração daqueles a quem servimos.

Em um mundo tão competitivo, no comércio, na indústria, no setor de serviços, há uma multidão de marcas. Todas vêm e vão. Algumas são lembradas, outras descartadas. As empresas mais lembradas no presente (e provavelmente, no futuro ainda se contarão histórias sobre elas), são as empresas “humildes”, que desenvolvem uma relação de respeito com o consumidor intermediário e final. Empresas capazes de atender reclamações como oportunidades de aprimoramento. Marcas envolvidas não apenas com a transformação da natureza, mas comprometidas com a reposição dos danos ambientais. Enfim, instituições que reconhecem que feitas de seres humanos falíveis e limitados isoladamente, somente são fortes se seus membros estiverem unidos entre si e se forem fraternos na solidariedade comum. Grandes marcas têm atrás de si servidores humildes e dedicados.

No reconhecimento humilde de nossas limitações e na escuta atenta das correções que nos levam ao crescimento e amadurecimento, contamos com a graça de Deus que faz com que ao desaparecermos, fique mais evidente a Marca e a Bandeira sob as quais militamos: a Marca de Cristo e a Bandeira da Fé, que hão de perdurar para muito além de nós e de nossas pobres contribuições.

Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo
Orientador Espiritual ADCE Sorocaba/SP – Brasil.

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