Palavra de Fé – Março de 2021

Reflexão do Conselheiro Espiritual da ADCE Sorocaba.

O mundo que conhecíamos até ontem está em demolição. Tudo está mudando no epicentro deste furacão biológico chamado Covid19. Até o ser cristão começa a se apresentar como uma nova espiritualidade em tempo de pandemia, como semente de renovação para quando tudo isto passar. De repente, todo mundo precisou olhar para os lados e prestar atenção no quê e em quem, ou quantos estavam ao seu redor. Do egoísmo à alteridade. E porque não dizer com o Papa Francisco, à fraternidade universal.

Há ao nosso redor ruínas de um mundo em desconstrução, um mundo pautado em diversos princípios que já não servem muito, ou que não resolvem os desafios atuais. Caminhávamos, como dizem alguns, sob a égide da especialização – cada um capaz de saber muito ou quase tudo de uma única realidade. Este caminho de conhecimento não resolve um estado de pandemia onde a solução não passa do saber profundo e radical de um só, mas da integração dos saberes de uma multidão que tem experimentado alternativas múltiplas de sobrevivência.

Vieram as máscaras: cirúrgicas, N95, de TNT, de tecidos – duplas, triplas, alguns hoje aconselham o uso de duas para proteger mais. Vieram as suspeitas de medicamentos; a testagem inicial colheu dados do uso de milhares de fármacos sintéticos. Sem eficácia absoluta de qualquer um especificamente, tendemos ao uso de um coquetel inusitado: antibiótico + anticoagulante + antiparasitário. Para limpar: álcool, detergente, água sanitária – cloro, quarteto de amônio. E o mais eficaz: o distanciamento social. Enfim, nenhuma destas medidas, em menor ou maior grau, sozinhas, garantem segurança e eficácia, por enquanto. Aprendemos a integrar e a olhar o conjunto das iniciativas que preservam saúde e qualidade de vida.

Este olhar “generalista” (David Epstein) parece sugerir um novo modo de ser no mundo, no qual a integração dos mais diversos aspectos da realidade de apresenta como a chave da sobrevivência e do sucesso. Olhar ao redor. Ver quantos somos e o que podemos fazer juntos. Somar as qualidades, ao invés de subtrair pelas diferenças. Tolerar o limite. E alargar o coração para nele caber tudo que é possível ser e fazer em vista da manutenção da vida sobre a face da terra.

Pois viver aqui e viver bem é caminho para conhecer a Deus que se fez Homem para nossa Salvação.

Este mundo é porta de eternidade para todo bom cristão. E Deus quis que este mundo, marcado por inúmeros contrastes, fosse o lugar onde nós O conhecemos e O amamos, e fazemos isso em comunhão com todos ao nosso redor. Uma nova espiritualidade para além do império da morte.

Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo
Orientador Espiritual ADCE Sorocaba/SP – Brasil.

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